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Conheça os sambas-enredo da Série Bronze do Carnaval 2026

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, a Intendente Magalhães volta a ser palco da pluralidade do Carnaval carioca com os sambas-enredo da Série Bronze. É nesse chão democrático que, assim como na Série Prata, vão se encontrar Escolas tradicionais, carregadas de história e novas Agremiações, que chegam com muita vontade de marcar seu nome na folia.

A seguir, confira os sambas-enredo das agremiações que desfilam nesses dois dias e prepare-se para viver mais um capítulo da maior manifestação cultural do país:

Concentra Imperial 

A Escola de Santa Cruz inicia os desfiles da Série Bronze prestando reverências a Rosa Magalhães. Com o enredo “Nem toda rosa é vermelha, das espécies surge a Magalhães”, a Concentra promete celebrar a sensibilidade artística e o legado da carnavalesca, que encantou gerações.

Autores: Glauco Leão, Bebetinho, Douglas Ramos, Nito de Souza, Naval, Marquinhos Beija-Flor, Júlio Assis.

Bum bum paticumbum prugurundum
Sua obra é um legado que o samba aplaudiu
Dos livros extraiu sabedoria
Sua arte é poesia com um toque genial
Tribos tupinambás e tabajeres vão passar
Mas vale um jegue que um camelo a derrubar
Brasil mostra sua cara e raiz, or not Tupy
Quem te descobriu foi o seu Cabral
Desceu o suco na pancada do ganzá

Vem brincar nesse trem, au revoir Napoleão
Na Rua do Ouvidor, delirante confusão (bis)
A festa é pra gente, Marques na Sapucaí
Para o caldeirão ferver, o concentra é o ti-ti-ti

Na Vila, mostrou o celeiro pro mundo
E fez um arraiá pra lá de bom
Por muitas vezes, uma rosa premiada
Balançou arquibancada e deu o tom
Um cenário ideal nasceu
No Maraca a festa brilhou
A união dos esportes, selando a paz mundial
Eternizando o encerramento magistral

Ê saudade que dói no fundo do peito (bis)
E quem dera um dia no tempo voltar

Agradecer aos mestres com carinho
Concentra Imperial resgata o caminho (bis)
De Rosa Magalhães, eterno ensinamento
Pra vida, inspiração e sentimento

Acadêmicos do Recreio

Com o enredo “Nosso Lar Aiyê dos Orixás: Terreiro de Nossa Gente”, a Escola da Zona Sudoeste promete enaltecer o nosso lar como um espaço sagrado de culto, resistência e morada. A Agremiação promete se transformar em um terreiro de luz e fé, onde o Aiyê (a Terra) é a morada sagrada dos nossos Orixás e o berço da nossa comunidade.

Autores: Jeferson Rodrigues, Marquinhos Índio, Gilson Bernini e Gilsinho da Vila

Cenário encantado de axé
O portal da minha fé, o ayê dos orixás
Terreiro de umbanda e candomblé
Memória viva dos meus ancestrais
Chegou o povo cigano
Tem festa à luz do luar
Em cada palma da mão… destino
Fogueira, pé na areia à beira-mar
Ao som dos violinos
A roda de oborós e iabás
É canto e reza, caridade, amor e paz

Minha Praia da Macumba
Um presente do sagrado
Um balaio de riquezas
Êta solo abençoado
A energia que envolve o meu quintal
Virou enredo nesse Carnaval

Ogã, firma ponto no tambor
Ialorixá mandou
Bota a gira pra girar
Laroyê Exu, mojubá
A malandragem tá na ginga do meu samba
Filho de pemba também vai pagodear
No fim do ano, quando o céu clareia
Tem oferendas que a maré sabe levar
Esporte, cultura, lazer, prazer
Motivos pra me orgulhar… meu lugar
A brisa sopra musicalidade
Lá vou eu nas ondas da felicidade

Kabecilê Xangô, meu padroeiro
Alumia o nosso lar, salve o povo macumbeiro
Yemanjá, peço proteção
Vai, meu Recreio, nesse mar de emoção

Rosa de Ouro

O legado de Candeia vai ser levado para a Avenida pela Rosa de Ouro. Com o enredo “Deixe-me ir: Rosa de Ouro canta Candeia: A Luz que Iluminou o Samba!”, a Escola homenageia seus 90 anos, cortejando de reverência à sua trajetória, às suas letras combativas e poéticas, ao seu amor incondicional pela negritude, pela cultura popular e pelo carnaval verdadeiro.

Autores: Victor Rangel, Dinho PQD, Marcelo Vieira, Diego Gaúcho, Edson de Jesus e Léo Castro.

É povo preto, é mandinga e fundamento
O real assentamento traz a luz de orixá
Que guia, orienta e dá caminho
Nunca vai deixar sozinho, é a força pra lutar
O negro em dia de graça, o axé que não passa
A esperança que não vai ter fim
Arte iluminada por Candeia
A estrela que anseia o futuro no sopro do benjoim

Partideiro, sua rima me conduz
O seu verso vem das bandas de Oswaldo Cruz
O retinto carioca se vestiu de azul e branco
Trouxe a águia da Portela e seu eterno manto

É resistência, alma livre pra cantar
Sob a luz do luar… exalou favela
Cultura enraizada no saber
Muito fez por merecer, mostrou sua diretriz
Quilombo é raça, raiz
Acordes que brotam do chão
O canto é um elo das três raças
A fuga dos nossos ais
Sua história assim se faz
O legado é alma do Carnaval

A nossa escola de samba é ouro
É rosa que faz o povo cantar
Meu partido é o samba na veia, tem sobrenome Candeia
Chama que jamais se apagará

Império de Brás de Pina

Com o enredo “Nas Asas do Gavião, o Violão – Alma Musical do Brasil”, a Agremiação da Zona Norte promete embarcar a Intendente em viagem mágica pela história da música brasileira, tendo o violão como fio condutor que costura ritmos, emoções e histórias de norte a sul do país. 

Autores: Adriano Amaral, Luh Andrade, Clara Vidal, Felipe Lima, Jorginho Anhangá Ney Mesquita. 

Veio de além-mar
Na travessia, um lamento em segredo
Feito de notas e pranto tecido
Cordas caladas em meio ao degredo
Ao aportar no chão, soprou liberdade
Festejando com os índios, nasceu identidade
Na voz do repente cortando sertão
Florescem poesias no xote, baião
Violeiros, sertanejo a cantar
Um novo som está no ar

Na Lapa, a lua sorri seresteira
Entre as varandas da gafieira
A bossa que embala um chorinho do bom
Nas cordas do meu violão

Vem nos meus acordes viajar
Por melodias de tantas canções
Uma congada de cores no frevo das multidões
Grandes festivais, liberdade e esperança
Caminhando contra o vento
A Tropicália é lembrança
O rap é a luta desse meu país
No funk a favela só quer ser feliz
E o samba é a voz que não cala, é minha raiz
Vem ver meu Gavião tocar sua viola
E fazer valer a história
Pro meu Império ser campeão

Violão e a canção brasileira
Mistura perfeita desse meu país
Brás de Pina, a tua bandeira
Paixão verdadeira de um povo feliz

Sereno de Campo Grande

Em comemorações de seus 30 anos, a Sereno vai mergulhar nas sombras da desigualdade para trazer à luz aquilo que é silenciado através do enredo “Com o Olhar de Coruja, Enxergamos Além da Escuridão”. O desfile também vai celebrar a resiliência e a cultura que pulsa mesmo em meio ao caos e da esperança que insiste em florescer. 

Autores: Jaci Campo Grande, Sergio Alan, André Baiacu, Fabio Rodrigues, Laio Lopes, Marcelinho do Cavaco, Reinaldo Chevett, Almir Chega Junto, Renato Duarte e Ricardo Castellar “Cabelo”

Além da escuridão
Uma luz que encanta e fascina
Contra os muros da opressão
Vou em outra direção, proteger a vida
O rio escasso lamenta
Paira no céu o ar poluído
Nas matas resiste a esperança
Por que não acreditar
Exaurido o planeta, que futuro haverá?

Campos de guerra expõem a contradição
Riqueza demais em poucas mãos
Ante a ganância voraz
Canto em favor da paz
Enfrento toda forma de exclusão

Respeito a fé, origem e cor
Sou a coruja espalhando o amor
Represento o saber
O estudo ajuda a vencer
Reflete no meu pavilhão
A “garra” de ser campeã
O samba fortalece a minha paixão (superação)
Reciclando sonhos
A festa não pode parar
Brilham as “bodas de pérola”
No meu olhar

Sublime inspiração
Quantas histórias no coração
Em noite de esplendor, um voo pleno
Nos 30 anos do Sereno

Leão de Quintino

Com o título “O Reino que o Samba Sonhou!”, a Agremiação de Quintino promete emocionar o público com um defile  onde a fantasia, a cultura e a alegria do povo formam os pilares de um império popular. 

Autores: Marcelo Lepiane, Lico Monteiro, Marquinhos Beija flor, Júlio Assis, Flavinho Avellar, Ricardo Simpatia, Jonas Marques ,Tim Maia, Marcelo Mineiro, Julio Cesar Freid’Sil, Laura Romero, Binho Teixeira, Waltinho Xavier.

Era uma vez
Um reino onde a fé não descansa
Lugar de coragem e luta
Suor e labuta e um fio de esperança
Sob a luz dos guardiões da avenida
Magia, herança ancestral
Metamorfose é transformação
No show da vida à criação

No faz de contas vou bordando a fantasia
Com euforia,  entalhando a ilusão
A obra prima do artista em poesia
Vai empolgando  a multidão 

Sopra a brisa e anuncia
Festejo nesse reino de emoções
Trovadores batucadas
O cortejo faz pulsar os corações
E pra embalar
O Carnasamba contagia
Baluartes, gente bamba
Tem nobre no samba
Os reis da folia
Os nobres do samba
No reinado da folia

 Abre o portal da alegria
Leão de Quintino chegou
O sonho Encantado do povo que Brilha
No reino que o samba sonhou

Flor da Mina do Andaraí

Com o enredo “Tereza de Benguela – A escrava que virou rainha”, a agremiação vai contar o legado inspirador de Tereza de Benguela, uma mulher que rompeu as correntes da escravidão para se tornar líder do Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, desafiando o sistema escravocrata e construindo uma comunidade autônoma, plural e resistente.

Autores: Jorge do Batuke, Fred Lima, Lucas Alves, Márcio Carvalho, Ayr Júnior, Claudinho Oliveira e Araguaci

Oh! Tereza!
A roda do tempo girou,
Mas ninguém te esquece.
És filha de Angola?
Ao luar permanece…
Tua alma guerreira, que jamais se apagou.
Odoyá… no balanço do mar
Liberta as correntes,
Quilombola, heroína, é chama ardente!
Benguela, nome que eternizou.
Foi na fé em Deus!
Foi na fé em Deus!
Brava luta contra o opressor
Igualdade ainda não chegou?
De caboclo à mulato,
A essência é o amor!

Êêê… negra rainha…
Que na força de Nzâmbi
Não se entregou! Oh, Senhor!
Do Quariterê, a eterna herança.
A liberdade não raiou.

Resistência é a força que se cria,
Nosso canto tanto ensina,
O seu sangue germinou,
Linda semente…
Que hoje é a estrela guia,
Sua luz nos irradia…
Coragem, povo vencedor!

Ôôôôô, canta Flor da Mina!
Preta é a voz do morro!
Que ecoa na avenida!

Unidos de Cosmos

Para essa temporada, a Unidos de Cosmos propõe um mergulho profundo na ancestralidade, exaltando a força espiritual, a sabedoria dos povos originários e o elo sagrado que nos une à natureza. Com o enredo “AHAMA – É preciso resgatar para existir“,  a escola promete um desfile de fé, memória e consciência, celebrando o reencontro com nossas origens e o despertar para o que realmente nos mantém vivos.

Autores: Lúcio Naval, Diego Nicolau, Igor Pagodinho, Márcio Silva, Júnior Diniz e William Picote

Sou eu curumim que carrega no sangue a terra
O filho ancestral de um país ancião
O elo entre homens e animais
O som dos pajés em seus rituais
Evoco a resistência nesse chão
A alma de Sepé Tiaraju
A força de Tamoios, Cariris
A luz em dois de Julho
Por todos os “Brasis”

O grito que ecoa é brado de resistência
A quem entoa contra nossa existência
Ergo a voz pra lutar, defender nosso chão
Agbaye, Deus Tupã! Salvação!

Rio acima, a mata é dos encantados
Na defesa do Eldorado
Da beleza de cunhã
Onde a lua se admira
Na contenda Curupira
Entidade guardiã
Meu Brasil Urucum
Coração de mulher
Grito de resistência
Testemunho de fé
Canta todo o povo da floresta, vem ver
É festa até o dia amanhecer

Auê Auê quando o som do tambor bater
A magia acontecer
É Cosmos a desfilar,
Aldeia Brasil rumo a vitória
Escreve o nome do teu povo na história

União Cruzmaltina

O legado de Miguel Camisa Preta vai ser o tema central da União Cruzmaltina para o desfile deste dia. Com o enredo “A parábola de Miguel – O Homem da Camisa Preta”, a Agremiação celebra a trajetória de um personagem forjado na rua, na astúcia, na coragem e no código próprio de quem nunca aceitou ser menor que seu destino. 

Autores: Samir Trindade, Renne Blum, Herval Neto, Jonathan Silva e Daniel Paixão

Carioca atrevido,
Capoeira temido…
Vem, Malandro Miguel!
Liderança de rua,
Forjado de astúcia,
Malícia de mel!!!
Muitas amou, também por muitas foi amado.
Pegada firme de um malandro posturado.
Viveu a vida defendendo e atacando…
Na madrugada, de mãos dadas com o profano.
Mas Capoeira se esqueceu, que não sabia desviar de bala.
No gatilho, a covardia:
Faleceu Camisa Preta
E a Capital decretou luto na Lapa!

Vem, abre a roda e vem jogar!
Malandro bom, não pode confiar nos outros.
Mas o que pareceu ser mal
Deu vida a um imortal:
Camisa Preta, campeão do Carnaval! (2x)

Ogunhê, Patacori!
Epa Hey, Iansã Balé!
Do outro lado, ele assumiu
A malandragem com seu Zé.
Pra uns, é Miguelinho do Morro ou Miguelzinho.
Fuma, bebe, brinca e ri,
Mas não é de brincadeira!
Pros amigos tem cerveja e petisco;
Pros inimigos, tem caixão e vela preta!
Quem lhe demanda, eu admiro a ousadia.
O seu feitiço passou longe de pegar!
Camisa Preta frita peixe em água fria.
E aqui, na Cruzmaltina, faz macumba voltar!

Na porta de um cabaré,
Eu vi caído quem jurou de me matar.
Não deu nem tempo de saber quem é,
Porque Miguel chegou bem antes de eu chegar! (2x)

Alegria de Copacabana

Fechando a primeira noite, a Alegria de Copacabana vai levar o enredo “Tranca-Rua”, que promete abordar as tradições de fé, resistência e mistério, com a saudação “Laroyê” para abrir os caminhos.

Autores:Márcio André, Rafael Prates, Daniel Katar, Mingauzinho, Nando do Cavaco, André Filosofia, Grassano e V.Tomageski 

Ogum… Ogunhê
Chama a gira…
Pro Seu Capa Preta e cartola
Pra conduzir meu caminhar
Rumo a vitória!
É no toque da macumba
Que me livro da quizumba
Exu das Almas, saravá!
Mar de dendê, marafo, alafiá
É festa de Umbanda
Pra vencer demanda

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Meu povo pisa forte neste chão
E firma o ponto batendo na palma da mão 

Ô luar, ô luar…
Sobre as sete encruzilhadas
Embaré vem gargalhar
Ô luar, ô luar…
A falange está formada
O xirê vai começar!
Dos humildes, defensor
Tenho fé no axé do protetor
Seu Tranca-Rua vai cortar todo esse mal
Abençoa a minha escola
Vem guiar meu carnaval

Laroyê Exu e Mojubá
Clareia clareia
Abre os caminhos Alegria vai passar
Levantar poeira

Caprichosos de Pilares

Abrindo a segunda noite de desfiles, a Caprichosos levará o enredo “Que valha a nossa voz”. A voz preta será exaltada através de ritmos, nomes e canções singulares que se destacam no Brasil. O protagonismo preto através da música, dita para a Caprichosos um cenário sócio musical, onde o som conclama ideologias, verdades e a realidade cultural de jovens e artistas.

Autores: Alexandre Reis, Victor Rangel, Giuliano Paim, Dinny da Vila, Jonathan Tenório, Gigi da Estiva, Zé Mauro, Herval Neto e Lodi

Solta a voz chegou pilares
E nos bailes da Pesada o DJ comanda o som
É Black Power resistência não espera
É fusão que reverbera um tremendo batidão
Olhos coloridos de uma menina
Preta melodia é Brasilidade
Empoderamento na cultura popular
O show vai começar

Grafitando letras racionais
Minha Arte não vai tombar jamais
O meu charme é curtir um funk
Um anda bonito e outra elegante 

Afro Brasileiro gosta de mistura
Ritmo empolgante toque todo seu
Na modernidade alma de terreiro
A baianidade nunca se perdeu
O som do negro é universal
Faz no carnaval a maior a maior festa popular
Caprichosamente um Grammy pra te coroar
É Deus quem aponta a estrela
Que tem que brilhar

Um sorriso negro é favela
Braço forte que não cansa sentinela
Dos sambas de Ciata aos pagodes
De Arlindo o nosso tambor te leva ao infinito

Unidos de Vila Rica

“O Poeta do Sertão: João do Vale” será a homenagem da Villa Rica ao mestre da música popular brasileira, um ícone da cultura nordestina que transformou as adversidades do sertão em poesia e resistência. Com um enredo que nos leva do coração do Maranhão até o palco do Brasil, celebramos a vida e a obra de João do Vale.. 

Autores: Pato Roco, Renne Barbosa, Henrique Santos, Herval Neto, Piter Luiz, Evanildo Paranhos, Nelsinho Marcolino, Ismael Peçanha. Participações Especiais: Bia Teixeira & Santos Consultor Imobiliário

Do ventre da terra vermelha
No “Lago da Onça” nascia
O mensageiro da esperança
Lavrando a fibra da família
Na sua enxada, a poesia
As cicatrizes traziam a dor
Pé na estrada, uma nova jornada
O “aço” do Nordeste despontou

No toque do “tambor de crioula”
Renasce a valentia, maracá
Ê, Bumba Meu Boi, brilha São Luís
Seu reduto de magia

Rasgando o céu da imensidão
Contra a opressão
Um “carcará” que voou
Pra desarmar as mordaças
Desse país, “mundo cão”
João… artista nobre dessa mãe gentil
O povo todo aplaudiu
No “Zicartola” e no teatro “Opinião”
A luta, coragem, desbrava
De azul e amarelo, o morro te exalta
Do samba faço oração
Eternizado em nosso coração

Ele é o João da Villa Rica
De tantas vidas, de tantos amores
“Pisa na fulô” na gira do Maranhão
Canta forte, “o poeta do sertão”

Boi da Ilha do Governador

Terceira escola a desfilar no sábado, a Boi da Ilha vai reeditar um dos maiores carnavais de sua história: “Orun-Ayê”, de 2001. O enredo narra a criação do mundo a partir de uma lenda africana de origem nagô. 

Autores: Aloisio Villar, Clodoaldo Silva, Paulo Travassos e Silvana Da Ilha

Vem do Orun
A ordem do Divino Criador
Para ser criada a Terra
E viver em paz, sem guerra
Olorun abençoou
Oxalá, orixá de confiança
Cai na sede da vingança
Não cumpriu sua missão
Exu, que é o bem e a maldade
Usa sua ambiguidade
Faz mudar a direção

Odudua, vá falar com Orunmilá
Consulte o oráculo de Ifá
Não se esqueça da oferenda (bis)
Não tenha vaidade
A nossa força vem da humildade

Vejo os meus filhos em seu caminhar
Elementos irão se formar
Nasce a vida do ventre de Ayê
É nagô, essa beleza é você, nagô
Que mostra um mundo de esplendor

Em uma linda história de amor
Hoje eu peço paz, saúde e felicidade
Brindaremos ao futuro nesse dia (bis)
Faça sua festa com o Boi da Ilha

Imperadores Rubro Negros

A rubro-negra vem o enredo “Nigredo e Rubedo: Alquimia em preto e vermelho”, onde exaltará a prática mística que floresceu durante a Idade Média reunindo arte, ciência e magia, a Alquimia. 

Autores: Marquinho Beija-flor, Valtinho Rubro-Negro, Raphael Gravino, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Sérgio Renan

Sou na vida um alquimista
E mergulho na magia
Atravesso as dimensões
Guardo a sabedoria
Manipulo a poesia
Pra buscar transmutações
Decifrar a pedra filosofal
E conquistar o domínio elemental
A química perfeita descobrir
Com os quatro elementos evoluir
O samba é o verdadeiro elixir!

Tem ciência na regência da bateria
Misturei surdo e repique, destilando alegria
Sou o mestre da cadência, eis a minha descoberta
A nossa bossa é veneno na dose certa!

Quem sou eu no universo?
Um grão de areia na imensidão?
Tenho o dom da ousadia
Reinvento a criação
E no “cadinho” dos florais
Conduzo os anseios medicinais
Paixão rubro-negra!
Meu preto e vermelho, o futuro é agora!
Sobre a tábua sagrada
Risco a fórmula que forja a vitória!
Eis a pedra filosofal do samba
Alquimia de gente bamba

Do bronze à prata, a minha missão
Quem sabe ser ouro, a consagração
Imperadores, amor real é por ti
Te amar é o segredo do meu existir

Unidos do Cabuçu

Com o enredo “A Saga dos Tupinambás a Guaranis – No Olhar do Tempo, Escute o Cheiro da Chuva na Aldeia Maricá Cabuçu”, a proposta da Agremiação é uma imersão poética e histórica nas raízes indígenas do Brasil, especialmente dos povos que habitaram a região de Maricá.

Autores: Gabriel Leal, Erick Marques, Davison Jaime, João Zanuncio, Fábio Brandão, China do Cavaco, Mariano Araújo, Antônio Neto, Jonatan Quintanilha

A grande vespa vai voar sobre a terra de Tupã
Iluminando o curumim
Raiz forte, o sagrado, chuva em solo abençoado
Do guerreiro guarani
Resistência, ideal de luta
Ninguém assusta o poder ancestral
Aprendemos a lição, preservar o nosso chão
Essência do meu povo original

Anawê oka anawê… nós temos brilho no olhar
Anawê oka anawê… coragem pra vencer

Ouço um apito na mata
“Cuspindo” fumaça
Progresso ou ilusão?
Tentaram moldar sua fé
Das mãos de José
Toquei maracá em oração
Na imensidão do mar
Ouro negro, Maricá
Das profundezas, luz de um novo dia
É a força tupinambá
Que faz tremer a avenida

Naurú kuéra auê, na pele urucum
Rufem os tambores aqui na Cabuçu
A estrela azul vai brilhar (vai brilhar)
Na imponência da aldeia Pariká!

Unidos da Vila Kennedy

A Unidos da Vila Kennedy vem para a Intendente falando sobre a CUFA. Com o enredo “O grito da Favela, CUFA, o Brasil que deu certo”, a Vila Kennedy celebra a história da Central Única das Favelas, nascida em Madureira e hoje reconhecida no mundo todo como voz da do povo preto que transforma dor em potência, exclusão em oportunidade e silêncio em voz.

Autores: Flavinho Bento, Fernando Professor, Claudinho Russo, Miolo, André Baiacu, Jailton Russo, Leo Gonçalves, Luciano Flauzino, De Paula e Leo Peres

Um grito ecoa na boca do povo
A CUFA é a alma de um mundo novo
A prova real do verso que diz
“Eu só quero é ser feliz” 

Despertou!
O sonho de uma nova alvorada
No vaivém dos becos e vielas
A gente vira o jogo na quebrada
A luta que virou revolução
Teu povo em multidão
Estende as mãos
Conduz a esperança no viver
Histórias pra contar e aprender
Florescem os direitos de igualdade
Felicidade… É saber viver

Sobe morro, desce morro
Entre festas e mazelas
Teu nome é Favela
Vê se tu pega a visão que mostra na tela
Só sabe é quem vive nela 

Nos acordes da canção
Batidão toca na praça
Nossa gente não se rende
É a voz que não se cala
Pra formar um cidadão
Favelado em Doutor
Salve a mãe guerreira que se dedicou
Vila!
Veja o clarão da liberdade
A chave da oportunidade
Resistir sempre valeu
Por todo gueto
Nas aldeias e quilombos
Nos Brasis dos nossos sonhos
A comunidade venceu!

Acadêmicos do Peixe

A Acadêmicos do Peixe levará à avenida o “O que que o meu samba tem…”, uma homenagem à maior manifestação da cultura popular brasileira, o Carnaval. O enredo propõe uma viagem no tempo, resgatando as origens da festa do povo, desde o entrudo e os blocos de sujo, passando pelos ranchos, cordões e pelas rodas de samba dos becos e vielas, até os grandes desfiles contemporâneos.

Autores: Serginho Rocco, Orlando Ambrósio, Telmo Augusto, Washington Motta, Gilmar L. Silva e Anderson dos Santos

Deixa essa magia me levar
Seu axé purificar, mãe baiana
Festa profana da elite à ralé
Minha escola diz no pé… evoé!
Sou mascarado, pierrô e colombina
Fantasia que fascina um eterno folião
Que esquece as mágoas pra viver essa ilusão
Bate bumbo, Zé Pereira faz zoeira na cidade
Porre de felicidade
Foi Deus Baco quem mandou

Deixa falar a vizinha faladeira
Que o samba na Praça Onze
Foi de levantar poeira
Raiou do couro do tambor a igualdade

Um clima de alegria que invade
Num sonho que parece não ter fim
Batuque que foi pelo mundo afora
Agora veja o que meu samba tem
É vermelho e branco
Um brilho, encanto que mais ninguém tem

Tá aí meu Carnaval, passado no presente
É o nosso peixe sacudindo a Intendente
Vamos fazer história
Em busca da vitória

Novo Império

Com o tema  “No canto sagrado dos pajés e curandeiros: A cura que brota da floresta”, a Escola de Samba promete levantar seu pavilhão para cantar a força ancestral da mata. Entre o gorjear dos pássaros e o dançar das árvores ao som das cascatas, surge a magia que perfuma a vida com cheiro de beijoim. As energias de Ossain e Aroni, num bailado místico, convidam a todos para um banho de fé e renovação.

Autores: Chicão do Cavaco, Fagudinho, Rogério Máximo, Cidinho Pernambucano, Madalena, Silvana Aleixo, Jorge Feijão. 

Com as bênçãos dos pajés e curandeiros
Pássaros gorjeiam nas matas
Árvores dançando no bailar das cascatas
Começa o sassayin
Curando feridas, perfumando a vida
Com cheiro de benjoim
Eiyê voou, ô ô ô!
Aroni pulou, numa perna só
Ó Senhor das folhas,
Guiai as escolhas, tenha dó!

Vovô ensinou! Banho de abô
A bengala do velho quebra mandinga
Se junta caboclo, okê, arô!
Curandeiro da antiga

A floresta guarda o segredo
Finda o medo, Senhor Rei da magia
Macera as ervas
Elimina a epidemia
Com plantas medicinais
Dos nossos ancestrais
Vai meu samba exalar o aroma
Das flores, curar os dissabores
Sementes para a vida florescer
A Novo Império traz do ventre do Ayê…
Saravá! Atotô, Obaluaiê!

Okê, okê! Okê, arô! Oxóssi é caçador
O guardião e rei das matas
Peço licença, ó Juremá!
Abre os caminhos pra minha escola passar
Cabocla, filha de Tupinambá!

Mocidade Vicentina 

As festas de São João vão ser o tema central da Mocidade Vicentina. Em “Anavantur, Anarriê! Vem com a Mocidade dançar quadrilha, que o samba hoje é balancê!”, a Escola de Vicente de Carvalho promete apresentar a festa que, assim como carnaval, tem um propósito: celebrar o povo brasileiro!

Autores: Alexandre Guerra de Minas Arthur Franco, Custódio, Eliezer Rosa Meia Noite, Fábio Henrique, Fernando Silva, Joca Amaral, Luiz Carlos D’Almeida, e Mário Gomes 

Merci beaucoup nasci na França
Cheguei ao Rio, pelas mãos de Portugal
Do luxo a simplicidade
Birei cultura popular …
Ulalá
Hoje sou quadrilha, sou brincante
A pegada fascinante, faz o povo delirar
Olha a cobra! É mentira!
Abre a roda que o Arraiá vai começar!

Pula a fogueira, viva São João
Festa na roça ou no salão
O povo do samba no seu balancê
A Intendente vai estremecer 

As bandeirinhas, enfeitando o cenário
Em casamentos que o padre consagrou
Semeei a terra, plantei a esperança
Pra colheita perfeita, que São Pedro abençoou
Sorriso franco dessa gente brasileira
Que dança, canta e se sente mais feliz
Entrelacei minha raiz e transformei
O caipira na avenida hoje é rei
Na trajetória encontrei desigualdade
Ergui a voz nos preconceitos sociais
Nos templos há fé e a bonança
Entre a chita e a organza
Os valores são iguais
No chão de estrelas onde a minha escola brilha
Tem sambista na Quadrilha
Eita sô trem bão demais

Anarriê, anarriê, anavantur na Mocidade
Quero ver tu remexer
Anarriê, anarriê, do passista ao quadrilheiro
Hoje o couro vai comer!!!

Unidos da Barra da Tijuca

A Escola de Samba da Zona Sudoeste fecha os trabalhos na Intendente com o enredo “Enquanto Houver Sonho Há Esperança”, onde a escola vai explorar o mundo dos sonhos e subconsciente, através da metáfora de um cérebro com engrenagens, simbolizando a materialização de desejos, como estabilidade e sorte. 

Autores:Marcus Teles, Samir Trindade, Noca Neto, Clarissa Minardi , Marcelo Belo ,Wagner Guerra, Victor Rangel, Alexandre Reis, Marcão Lodi, Alesxandre Junior, Rodrigo Ferraz, Herval Neto, Renne ,Barbosa, PH Ubaldino, Pedro Moledo e Eduardo Lobão

No céu, um clarão
Os anjos vêm anunciar
Um novo sonho a surgir
Iluminando meu pavilhão
Do amor eu nasci
Vi na ciência evolução
Inspirações pra despertar
Há esperança no ar

No poder da mente, a criação
Mistérios, magias da imaginação
Onde tudo pode, a gente alcança
Nossos sonhos de criança

Na busca da felicidade
Carrego no peito a esperança
Nem toda riqueza traz alegria
O pesadelo vem da noite pro dia
Eu vou, com força e coragem pra resistir
Inspiro um novo tempo que vai reluzir
Nessa comunidade
Guerreira
“Sonhando acordado” até de manhã
Com o brilho nos olhos pra ser campeão!

Clareou na força do afã
Traz nessa avenida um novo amanhã
O sonho é nosso e vamos à luta
Unidos da Barra da Tijuca

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