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Conheça os sambas-enredo da Série Prata do Carnaval 2026

A Série Prata do Carnaval 2026 promete emocionar o público com sambas-enredo que vão ecoar pela Intendente Magalhães nos dias 15 e 16 de fevereiro. Com entrada gratuita e acesso aberto a todos, os desfiles reafirmam o caráter democrático do Carnaval carioca, com moradores, foliões e visitantes a vivenciar de perto a força criativa das Escolas de Samba.

A seguir, confira os sambas-enredo das agremiações que desfilam na Série Prata do Carnaval Rio 2026 e prepare-se para viver mais um capítulo da maior manifestação cultural do país:

Mocidade Unida do Santa Marta 

A Agremiação de Botafogo abre os trabalhos na Intendente Magalhães com o enredo “Samba é a minha cachaça”, uma celebração da bebida símbolo da cultura popular brasileira e da figura do malandro, encerrando uma trilogia que reflete sobre a vida, suas contradições, afetos e resistências.

Autores: Dalton Batista da Cunha; Renan Uccelli Guedes Ferreira; Daniel Tavares Guimarães; Thales Henriques da Mata Nunes Ferreira; Hugo de Oliveira; Carlos José Nogueira; Breno Medeiros Adão; Enzo Mello Barroso Menucci.

Ó santa no engenho, injustiçada
Água ardente nos tambores da senzala
Abençoada no meu coração
Que destila riquezas, fermenta revoltas da nação
“Marvada” que beija a boca
Deixa minha língua solta
E a verdade no ar
Protege dessa gente sem noção
Queima a goela do alemão
Que de nós, quer te roubar

Essa caninha, morena ou branquinha
Faz meu corpo esquentar
Se subir para a cabeça, vem e tira meu juízo
Sem o samba atravessar

Nasceu mais um, desce mais uma
A vida é festa, bebo até no gurifim
E no botequim, a danada está no altar
Nessa “batida” bebo até o sol raiar
Chora, “pinga” a lágrima de dor
Fiel é a cachaça, meu verdadeiro amor
Otim, deste lado da encruza
É a “pura” coragem da comunidade
Sagrada manguaça, nada vai nos derrubar

Vem Santa Marta, num gole pra festejar
Samba é minha cachaça, bebe pinga e vem sambar
Samba é minha cachaça, bebe pinga e vem sambar

Arrastão de Cascadura 

Segunda escola a desfilar no domingo, a Agremiação da Zona Norte do Rio levará o enredo “Cascadura se diverte nas culturas populares do Nordeste“, explorando as belezas, tradições e fé nordestinas, com lançamento do samba-enredo e figurinos já em andamento, prometendo muita alegria e identidade na Avenida, destacando elementos como Candomblé, Senhor do Bonfim e Filhos de Gandi.

Autores: Franco Cava, Leonardo Bessa, Lucas Thierry e Marquinhos Silva

Ah…meu Nordeste
Recanto do amor
Arrastando o povo… eu vou
São nove estrelas no céu da paixão
um mar de alegria invade o sertão

Se avexe não
Se achegue mais
Pro lado mais bonito do meu Brasil
Cabra da peste, lamparina, lampião
Alumia o meu chão
Mandacaru no agreste floriu
Pano da costa bordado de mar
Bato cabeça e peço licença no Gantois
Senhor do Bomfim guie essa jornada
Nessa terra abençoada
Na força dos Orixás

Desce a ladeira…Frevança
Em Pernambuco, Maracatu, canto e dança
Pula fogueira, Capelinha de melão
É lá na Paraíba o maior São João

E a beleza de Iracema
Se faz poema no meu Ceará
Em Juazeiro, Padim Ciço milagreiro
Sou romeiro de joelhos à rezar
Folguedos, Reisado me encantam
Vaquejada e o Boi Bumbá
Toca o Tambor de Mina
Dança menina no Maranhão
E num repente no altar desse terreiro
Vejo tremular divino o meu pavilhão

Tubarão de Mesquita

Terceira escola a desfilar no domingo, a Tubarão vem com o enredo “Berta Ribeiro: da Praça Onze ao Coração da Floresta”, que conta a história de quem dedicou a vida à valorização da cultura, da arte e do conhecimento popular. A agremiação de Mesquita vai abordar suas raízes culturais, sua trajetória e suas contribuições para a sociedade.

Autores: Sérgio Fonseca e Tom Tom

Desembarcou neste mundo, meu Deus,
Entre negros e judeus, quando ainda era criança.
Cresceu, mudou, foi morar na Pauliceia,
Porém não mudou de ideia nem perdeu a esperança.
Pela mão do casamento,
Achou alento, amor e paz.
Entre os nativos, sem tirar os pés do chão,
Decorou toda a lição dos saberes ancestrais.

Entre os Desana,
Mergulhou de peito aberto
E aprendeu que a alma humana
É bem maior vista de perto.

Antes, o mundo não existia:
Era um vazio existencial.
Depois que veio a tecnologia,
Não foi além do fogo e do metal.
Daí, então, veio a tecnoeconomia
De argila, pluma e palha natural.
Tudo se trança e, às vezes, dá um nó:
Tubarão, arte e ciência são uma coisa só.

Ave liberta!
Ave Berta! Viva a vida!
Salve o reino da floresta,
Hoje, em festa, na avenida!

Renascer de Jacarepaguá

A escola da Zona Sudoeste será a quarta a desfilar no domingo de folia. Para este ano, a Renascer promete estabelecer uma conexão entre a obra de Dante Alighieri e o dia a dia do povo brasileiro, que enfrenta seus próprios infernos cotidianos. O enredo “A Divina Comédia Brasileira” propõe atravessar os porões de uma nação profunda, convidando o público a mergulhar nessa jornada.

Autores: Cláudio Russo, Carlinhos do Cavaco, Julinho Cá e Jefinho do Amaral

Na selva imensidão,
Escuridão, concreto armado
A infância na contramão
Malabarista do sinal fechado
Desassossego, desemprego e opressão
Quem taxa a renda é a mordida do leão
A loba é mãe da exploração faminta vil
Como é que pode faltar o pão no Brasil!!!
Conheço as letras que vão me iluminar
Vou aprendendo para um dia ensinar

Tá no poder herói ou farsa
A esperança não venceu
Eu tenho medo desse mundo de trapaça
Vá pro inferno aquele que já se vendeu

Retorno à lida, é a vida afinal
Meu anjo me guia pra longe do mal
Nas ruas emprego informal
Saúde doente, manchete em jornal
Chego ao paraíso
Libertado pela educação
Quatro dias de festa me acabo
Ao povo o recado que há salvação

No país da ilusão é carnaval
Vai rolar um bafafá
O Renascer coloca a lenha na fogueira
Deixo a comédia brasileira me levar

União do Parque Curicica

A quinta agremiação a desfilar no domingo de folia é a União do Parque Curicica, que levará para a avenida a vida e a obra de Arlindo Oliveira, artista que transformou os desafios da mente em cores, formas e histórias .No enredo “As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista”, a escola vai destacar o legado do artista e sua potência criativa.

Autores: Dudu Nobre, Victor Rangel, Dinho PQD, Jonathan Tenório, Renne Barbosa, Wagner Guerra, Herval Neto e Grassano

Meu bem, vim contar sua história,
Uma insana trajetória, fruto da imaginação.
A arte é vida, e a vida, um desatino,
Um sublime desafio,
Suburbana inspiração.
Viajar e reviver as emoções,
O afeto espanta o medo e liberta corações.
O menino desperta sob o manto do saber,
Estandarte de esperança em um novo amanhecer.

Um poema, um rosário,
Tudo vai se transformar.
O retrato mais bonito, aquarela multicor,
Revoada sem amarras que jamais se imaginou.

Toca o violão, a inclusão, sonho meu.
Entre oceanos e mandalas,
O amor não se perdeu.
Em Gaia, toda a sua criação,
Universo singular.
Arlindo, o seu legado não se apagará.
Ao som do bolero, uma paixão,
O Boi Diamante a eternizar.
Saúde mental, uma conquista:
Sua loucura é ser artista.

Na Colônia, o centenário é carnaval.
Nessa avenida, vi o sonho acontecer.
Bairro de loucos, você sabe onde fica:
Curicica.

Independente da Praça da Bandeira

A chegada dos povos negros à região Nordeste é o tema central da Independente da Praça da Bandeira, sexta escola a desfilar neste dia.. No enredo “Grande Sertão Negro”, a Agremiação de São João de Meriti promete abordar, com irreverência e força cultural, a história dos africanos que ajudaram a formar uma das regiões mais importantes do país.

Autores: Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Raphael Gravino, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Breno Santos Amaral

É preto o Nordeste do meu país,
Raiz da negritude se arraigou
Nos mocambos do sertão
E no porto de São Salvador.
Vem de Angola, Congo, Benin e Guiné.
Abará, acarajé,
O tempero da baiana
E o legado que forjou a nossa fé.
Tem magia, tem axé… é herança africana.

Negro bate tambor… kizomba!
Canto livre do quilombo é samba.
Ê, malê… aprendi que resistir
É honrar a luta de Mahin e de Zumbi.

O frevo ferve pelas ruas de Olinda,
Maracatu onde a nobreza preta é linda.
Bumba Meu Boi de Pai Francisco e Catirina,
A resistência africana nos ensina
E ecoa nas vozes do ijexá.
É jeje, é yorubá, é toque de afoxé.
Nordeste, a umbigada virou samba,
Yaôs e gente bamba,
Carnaval e candomblé.

No saveiro da Senhora, o presente vai pro mar.
No saveiro da Senhora: Odoyá, Yemanjá!
E a minha Praça da Bandeira sai do gueto
Pra saudar o povo preto: Inaê, Mojubá!

Chatuba de Mesquita

A trajetória de Benedita da Silva será o tema central da Chatuba de Mesquita neste Carnaval. Com o enredo “Benedita do Povo”, a escola da Baixada Fluminense, sétima a desfilar no domingo,  vai contar a história da primeira governadora negra do Brasil, ex-senadora e referência na luta por igualdade racial, justiça social e pelos direitos das mulheres.

Autores: Dudu Botelho, Leonardo Bessa, Franco Cava e Gabriel Chocolate

O Criador,
Do barro fez surgir a vida.
No ventre, o amor e a graça prometida,
Forjada por seus ancestrais,
Flor e essência da paz.
Enfrentou o preconceito,
Seguiu seu destino.
A cor da noite é luz que emana
Na pele retinta,
Nobre herança africana.

Segue a missão… vamos à luta!
É crença e fé de quem não se curva.

Cidade partida, ferida e feitor,
Fundou o Partido do Trabalhador.
Preta, favelada: sua identidade,
Orgulho de ser da comunidade.
No morro, o palanque,
Sua casa, seu altar.
Pelo povo eleita,
Nasceu pra governar.
Igualdade, justiça social,
Sem medo de ser feliz.
A voz que não cala contra a exploração:
Primeira negra senadora do país!

Fome Zero, cultura, educação,
Pelos mais humildes entregou seu coração.

É a força, é a raça, poder de mulher,
Guerreira bendita, Bené.
Chatuba é estrela no céu a brilhar,
A esperança de quem vive pra lutar.

Vizinha Faladeira

A saga da reconexão do homem com o mar será o eixo central do desfile da Vizinha Faladeira na Intendente Magalhães. Com o enredo “A Voz que Vem do Mar é Ancestral”, a Pioneira do Samba promete lançar um chamado urgente à reconexão com a natureza, honrando as tradições afro-brasileiras e reforçando a luta pela preservação do mar e da memória.

Autores: Regina, Luciano Fogaça, Orlando Junior, Cecília Cruz, Diego Nogueira, Osmar Fernandes, André Damázio, Claudinho e Julio Pagé

Anoiteceu, misterioso mar.
Na maré cheia, vamos embarcar.
Não ouvimos o clamor a ressoar,
Silêncio que prenuncia a jornada.
Como foi que a humanidade se perdeu?
Calaram a voz dos ancestrais.
Em águas turvas, segredos não mais.
Quem sabe dizer o preço da modernidade
Que sufoca os batuques desse chão,
Unindo a irmandade pra missão?

Vai, Sereia Faladeira,
Tuas raízes encontrar.
Segue firme a correnteza,
Custe o que custar.
Um grito de socorro ecoa em coro,
A esperança é porta-voz do teu cantar.

No vai e vem das ondas,
O cenário da destruição.
O lixo domina a imensidão
E já não se pode respirar.
Quem suja o mar não pode sambar.
Oh, mãe! A força das marés vai guiar.
Kianda, em teus braços não há o que temer.
Teu poder é ancestral,
Alerta a todo ser humano:
Faz do oceano palco do teu carnaval.

A Pioneira chegou sob a luz do luar,
Histórias pra contar.
Eis o sagrado festejado na areia,
Sambando na beira do mar: vem, Sereia!

Unidos de Lucas 

“O povo escreve sua história em um sublime pergaminho”. Com este samba-enredo, a Agremiação de Parada de Lucas revisita as principais revoltas sociais da história do Brasil, exaltando a luta popular como protagonista na construção de uma nação mais justa e igualitária. 

Autores: Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Charles Silva, Kaique Gigante, Lucas Martins, Guilherme Kauã, Jefferson Oliveira e João Vidal

É tempo, real liberdade
Aos originários que o Brasil esqueceu
O falso progresso e a desigualdade
Nasce tua ordem, e morre um filho meu
Sou muito mais que valor de mercado
E está gravado em minha história
Herança de Congo e Palmares
O sangue da luta ficou na memória
Pujança de crioula e de malês
É o grito liberto no peito
Derrubando o preconceito
Rebelando de uma vez

Mais um revel que veio do gueto
Impondo respeito pra se libertar
Teu decreto é ilusão, não foi fundamento
Negro luta, negro canta em movimento

Levanta nação!
Teu verbo vai no “front” contra a farda
Mentiras dessas cartas assinadas
Delírio que pregou o opressor
Pra resistir… Protesto contra o imperador
Meu Brasil… a sua pátria nunca se calou
Quem vive nas margens da sociedade
Enfrenta o chumbo da falsa doutrina
De punho cerrado, Diretas já!
Pra não se entregar a qualquer sina!

É a revolução, reparação da história
Deixar na memória um legado de luta
Meu povo vem mostrar o seu poder
É o Galo de Ouro, é Unidos de Lucas

Independentes de Olaria

A Agremiação da Zona Norte mergulha na trajetória de Jackson do Pandeiro, mestre da síncope, gênio da mistura e rei do ritmo brasileiro. Com o enredo “O Balanço do Cabra que Embolou o Som e, no Compasso da Mistura, Fez um Brasil Pandeiro”, a escola exalta a musicalidade que marca a obra do homenageado, destacando suas raízes, sua genialidade rítmica e o legado que atravessa gerações.

Autores: Cláudio Russo, Marquinhos Beija-Flor, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Leandro Vicente

Do som do silêncio se fez o remanso,
E o brejo querido entendeu que o balanço
Nasceu na criança de nome José.
Ciranda de flora, toada de fé.
E o coco brejeiro embala o menino,
Cantares da terra moldando o destino.
E nessas andanças, a vida é cordel;
No agito da feira, parece escarcéu.

Ê fuzuê, meia-noite na baderna,
É balancê, mexe braço, mexe perna.
É da moléstia, é da gota serena,
Olha que “a pisada é essa”,
Enlouquece a morena.

O rei do balanço fez mistura
E acendeu o dom.
O rei do balanço fez mistura:
Cachaça com bourbon.
Jack soul, Jack som,

Já que tudo está no tom.
Quero ouvir, quero ver
Se o coco vai ficar bom.
Encontra Miami e Copacabana,
O chiclete e a banana,
Capoeira “zum-zum-zum”.
“Se é samba que eles querem,
Eu dou, eu dou”,
Parado eu sei que não fica um!

Olaria é forró, forró de paraibano,
Traz o rei do pandeiro, remelexo insano!
Chame seu par, pegue ele pelo braço,
Só não pode dançar fora do compasso!

Tradição 

A apresentadora Gardênia Cavalcanti será o enredo da Tradição no Carnaval de 2026. Com “A Menina do Sertão que Virou Estrela de TV – Gardênia Cavalcanti”, a escola levará para a Avenida a história de uma mulher que desabrochou como uma flor no Sertão nordestino e hoje brilha como estrela da televisão brasileira.

Autores: Lico Monteiro, Leandro Thomas, João Perigo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Filipe Zizou, João Neto, Rafael Gonçalves, Salgado Luz, Denis Moraes, Júlio César e Valtinho Botafogo

Voz-primavera, perfume de flor menina
Colhe o que a vida ensina, mas não nega a raiz
Nas linhas secas, no calor da incerteza
Nasce a flor da natureza
Chove a poesia em tantos Brasis
Como aprendeu com as Marias do sertão
Arte é inspiração pro sertanejo sonhar
E a fé que existe em seu interior
Joia de maior valor
Prece pra padroeira abençoar

Ê ê… Chegança
Feito dança desabrocha
A herança nordestina no pandeiro e no gonguê
Essência de mulher, sua história é um poema
Faz Santana do Ipanema, sua terra florescer! 

Sem tirar os pés do chão, bateu asas e voou
Se revelou a estrela da televisão
Por trás da tela, brilhou… Chegou a todo lugar
Em cada sonho, não deixou de acreditar
Fulô morena, a mais bela do jardim (bis)

Mulher… vem apresentar a sua história
Que inspira tantas flores na semente
Faz dessa vitória o seu bordão:
“Vem com a gente”, Tradição!

Chama a sanfona pra menina-flor
Voa meu Condor, vence a tempestade
De azul e branco mostra que é gigante
Vem coroar Gardênia Cavalcanti!

Lins Imperial

Para o Carnaval de 2026, a agremiação do Complexo do Lins encontra inspiração na água, elemento divino, símbolo de origem, memória e permanência através do enredo “Macacu – No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação”. Em seu desenho geográfico natural, a água está registrada nos topónimos de duas comunidades do complexo: Cachoeira Grande e Cachoeirinha, estreitando a relação da Lins Imperial com esse elemento sagrado.

Autores: Paulo Cézar Feital, Marcelo Tricolor, Sidney Sá, João Neto, Telmo Augusto, Dinny da Vila, Argentina Caetano, Gilsinho da Vila e Ricardinho Professor

 É Deus quem traça o destino das águas,
Sob a luz do Cruzeiro do Sul.
Vem do seu pranto as lágrimas fartas,
Das fontes Quizangas de Macacu.
Na realeza de Oxóssi,
Os traços da natureza,
A lenda de uma história de amor.
Puris se abrigam na serra,
Os bantus, cultura e beleza,
Mitologia que vem de Olorum!

 A procissão e o som do ijexá
Fazem ecoar os rios e cachoeiras.
Povo de Oxum…
Ilê Axé Omin, Oração das benzedeiras.

 Com a bênção da Santíssima Trindade,
Imaculada reluzindo em seu altar,
Das águas cristalinas renascem flora e fauna,
Com o cantar dos sabiás e o imponente jequitibá.
Ventre que produz a fecundação,
Da terra gerando vida,
Traz alimentos e ervas que curam.
Ribeirinhos fazem o solo florescer:
As águas jamais podem adoecer!

 E neste carnaval eu vou te seduzir,
Divina fé, feito um ritual.
Vou mergulhar e me banhar de verde e rosa,
Lavar a alma com a Lins Imperial!

União de Jacarepaguá

A agremiação promete exaltar a relação sagrada do quiabo para as religiões de matriz africana. Com o título “Quingombô entre Dois Mundos!”, a escola vai narrar diferentes itans como o de Ogum, que venceu Obá, uma yabá (orixá feminina), após ela escorregar na baba do quiabo.

Autores: Victor Rangel, Alessandro Tiganá, Herval Neto, Wagner Guerra, Neném do Banjo, Renne Barbosa, Gigi da Estiva, Daniel Paixão, Alexandre Reis e Jonathan Tenório.

Quingombô, na raiz o fundamento,
Africano alimento que o mar atravessou.
Floresce a herança cultural de um povo ancestral,
Que vê justiça no machado de Xangô.
É proteção, é axé que cura a alma,
Oferenda que emana o poder dos orixás.
No meu ilê tenho tudo o que preciso:
Quem come quiabo não pega feitiço!

Erê, erê, erê, erá,
No xirê da ibejada
Hoje eu quero festejar.
Erê, erê, erê, erá,Salve Cosme e Damião,
Caruru pra celebrar.

Ô mãe baiana, faz fumaça no terreiro,
Traz a pitada do tempero brasileiro.
Apimentada culinária popular,
Uma delícia que encanta o paladar.
Prepara a famosa galinhada
Com quiabo e angu,
Sabor que se espalhou de norte a sul.
O banquete tá na mesa, quem vai querer?
Bota dendê, bota dendê!

Vem plantar a fé pra colher o axé,
Eu sou o fruto que desabrochou.
Na força do amalá,
Eu quero ver segurar
A União de Jacarepaguá!

Acadêmicos do Cubango

A Acadêmicos do Cubango propõe um desfile em que o sertão não é apenas paisagem, mas essência de vida. Com o enredo “O Menino Sonhador do Sertão”, a escola de Niterói promete apresentar um Brasil profundo, celebrando a criatividade, a espiritualidade e a força de um povo que não desiste nunca. 

Autores: Obson Ramos, Niu Souza, Vinícius Xavier, Thiago Meiners, Sergio Careca, Rafael Coutinho, Pequinho, Bobby Brown, Anderson Lemos, Manolo, Nego Vinny, Pará da Souza e Miltinho

De pé descalço vai a minha poesia,
Feito asa-branca, voa a imaginação.
Cada retalho, uma história… fantasia.
Mandacaru floresce no “aperreio” desse chão.
Os olhos brilham, nunca vi tanta beleza
Que inspira a cantoria de cordel.
Se “arrudeia”, “bate-coxa”, sobe a poeira,
Sob a estrela que “alumia” o menestrel.
Lá vem arte na boleia de um sonhador.
Ô, ô, ô, ô, ô, ô… venham ver! A alegria chegou!

Pingo de esperança, vento de bonança,
Pro “véio” sertanejo “vê chuvê” no sertão.
Na lida é vaqueiro, na vida violeiro,
Entoando a moda pra Bonita e Lampião.

Me fiz um rei no castelo de magia
E sonhei que a brincadeira ganha vida.
Quem carrega a fé não sente medo:
Meu “Padim”, vem me valer nesse festejo.
Mesmo na terra judiada e sofrida,
Nossa semente insiste em crescer.
No coração menino, sei que meu destino é vencer.

É mais que um sonho, é meu ideal:
Esse arraiá já virou carnaval.
Vou onde for, por seu verde e branco,
Cubango, eu te amo tanto!

Império da Tijuca 

A verde e branca do Morro da Formiga abre o segundo dia na Intendente prometendo um desfile carregado de fé, força e resistência com a releitura de um de seus enredos mais marcantes. “O Intrépido Santo Guerreiro” narra a saga do Santo que desafiou a opressão, enfrentou batalhas em nome da justiça e foi eternizado como protetor dos humildes e símbolo de resistência durante o período em que diocleciano, Imperador de Roma dominou a região da Capadócia.

Autor: Bola

Jorge era um bravo guerreiro
Que enfrentou batalhas sem nunca temer
E com o seu talento natural
Chega ao comando da guarda imperial
Roma que em tempos distantes
Punia os amantes da religião cristã
Via o soldado convertido
Apesar de perseguido, confirmar sua fé
Diocleciano, imperador romano
Ordenou a sua execução
Se espalhou o culto em sua devoção

Não chore alteza, não chore não
O cavaleiro matou o dragão
Santo guerreiro, de coração
Canta o Império em louvação

E ao chegar no Brasil
Com o sincretismo, no tempo da escravidão
Foi batizado de Ogum
É fogo, é ferro, é graça para cada um
Ele é que vence a demanda
Seja na Umbanda ou no Candomblé
Se hoje tem cavalhada
Amanhã tem congada pro santo de fé
Quem é fiel, é da guerra
É Corinthians na Terra e Jorge no céu

Eu te sinto pelo ar
Eu te vejo no luar
O Morro da Formiga em procissão
Faz a sua homenagem ao santo de devoção

Flamanguaça

A Flamanguaça lança seus olhares para uma das mais intrigantes e fascinantes práticas da humanidade. Com ‘Ecos de Sortilégios”,  a escola rubro-negra vai apresentar um tema que atravessa séculos, culturas, civilizações e continua a encantar as mentes de leitores, espectadores e criadores de narrativas em todo o mundo. 

Autores: Daniel Katar, Hudson Luiz, Márcio André, Turko e Rafa do Cavaco

Ecoa o batuque de lá
Oh mãe, África!
Soprou ventos ancestrais 
Guardiões nos rituais 
Raízes mágicas Nkisi …
Muthi proteção 
Aos voduns exaltação 
Sangoma e seus mistérios
Amuleto tem poder 
No Ifá o meu destino o encanto do saber 

O brilho de Isis, a feiticeira
Senhora de Heka, faceira
É oferenda, crença ancestral
Um elo sagrado sobrenatural 

Sobe a fumaça no templo das sacerdotisas 
Num céu de estrelas
A luz dos alquimistas 
Tem bruxaria tem… magia nesse caldeirão
O mantra hindu é fé e devoção 
É curandeiro ê pajelança feitiço e cura
Ê curandeiro ê na dança do sol e da lua
Reza pra benzer o meu terreiro
Com seu axé rubro negro 

Sou o canto da massa
Sou Flamanguaça!
A emoção é te ver vencer, vencer 
Nossa nação em ritual
No sortilégio desse carnaval

Feitiço Carioca

A agremiação do Santo Cristo vem com o enredo “Meu Malvado do Fundo do Coração”, uma viagem nostálgica pelos antagonistas que, mesmo com suas artimanhas, conquistaram o afeto do público. A proposta da escola é explorar a ambiguidade dos vilões que marcaram gerações, passando por clássicos dos desenhos animados e personagens icônicos da literatura e do cinema.

Autores: Macaco Branco, Prof. Carlos Bebeto, Rafael Chokito e Daniel Victor

Deixa o caldeirão ferver (deixa, deixa),
A magia está no ar.
“Eu tô do jeito”, eu sei que o pecado gosta:
Sou malvadão, eu sou Feitiço Carioca!

Não tenha medo
E corra pra se divertir.
Vou te assustar e também te ver sorrir!
Enfeitiçado e criativo em malvadezas,
Gargalhadas, espertezas, personagens vão surgir.
Ganhando vida, mascarados e vilões,
Meu favorito causa alucinações!
Arrepiado vai vestir a fantasia…
Sucesso de bilheteria essas tais aberrações!

O Charada é vilão na bateria,
Põe Arlequina de passista pra sambar.
O meu malvado do fundo do coração
É arretado, vigarista, trapalhão.

Talvez
O imperfeito represente as revoltas,
As fraquezas e a nossa admiração.
Povoa esse imaginário
Atraente e lendário, conquista adoração.
O bem e o mal são escolhas da gente,
Mas no carnaval dá pra ser diferente!
E, por mais estranho que for,
Nem toda maldade se opõe ao amor.
Nem toda maldade se opõe ao amor!

Siri de Ramos

Com o enredo “Joias do Axé”, a Siri de Ramos mergulha no universo das religiões de matriz africana, exaltando suas formas, cores, símbolos e toda a riqueza dessa tradição ancestral. O desfile promete  valorizar a espiritualidade, a força e a beleza que o axé carrega, celebrando a herança cultural que exala nas comunidades e na Avenida.

Autores: Naldo da Portela, PC do Repique, PC Bombinha, Laercio, Marquinho Simpatia, Fagundinho e Fernando de Lima

Orixá guerreiro,
Senhor do saber,
Alumia meu terreiro
Com a chama do poder.
Salve o candomblé!
Búzios vou jogar, tem rituais,
Energia dos metais.
Tem fio de contas e balangandãs,
Na cerimônia, alforje de Iansã
E o quelê pra consagrar,
Divindades cultuar.

Bate tambor… ô, ô, ô, ô!
Firma no ponto que o Siri de Ramos chegou
Pra contar essa história,
Louvar a raiz que ficou na memória. (bis)

Lua vem irradiar
A luz da alforria que tarde brilhou.
A sorte trouxe riqueza
Que a negra de ganho
No corpo ostentou.
Vem conhecer Debret,
Que os patuás veio retratar.
Nossa Senhora do Carmo
Vem abençoar.

Pai Ogum!O seu amuleto é minha fé.
De ervas eu me banhei
E na Bahia encontrei
Joias do sagrado axé. (bis)

Acadêmicos da Abolição 

Com o enredo “Chão é Gente. Cultivar, Cultuar e Colher Ancestralidade”, a escola da Abolição ressignifica o conceito de chão como território vivo, sagrado e coletivo, onde memória, identidade e ancestralidade afro-indígena se encontram. A narrativa celebra a diversidade, o pensamento plural e a confluência de saberes como forma de resistência à cromofobia e ao apagamento colonial.

Autores: Lequinho, Cecília Cruz, Fabinho Gomes, Victor Mendes, Zé Moraes e Júnior Fionda

Nego! Eu vim plantar em poesia
Pra irrigar sabedoria
Do sangue fértil ancestral
Somos… o corpo, a alma e o grão
A liberdade em profusão
Herança Afroriginal
Pajé do chão que habita o meu ser
A diversidade ao meu ver, cultiva luta e amor
Pra combater na selvagem colônia
Envenenada de insônia
Quem suja seu solo de dor 

Ae Ae, Mãe Terra Ae!
O dom de cuidar pra ter de comer
Finda o meu canto capiongo
Traz fartura pro quilombo
Já me fiz por merecer

Partilha a fé no roçado, em comunhão
Prepara o que é cultuado
Bota erva no pilão
Esse solo rachado
Minha constituição
Contra o latifundiário
O canto da abolição

Tudo que Velho plantou
Vou regar por toda vida
Fiz da escola meu terreiro
E do samba minha lida

Eu sou fruto da semente, Abolição!
São cinquenta primaveras florescendo nesse chão
Na minha gente vou acreditar
Só colhe a vitória quem aprende a semear

Império de Nova Iguaçu

O Império levará para a Avenida o legado do terreiro de candomblé Kupapa Unsaba. O espaço é uma ramificação do tradicional Terreiro Bate Folha, de Salvador. Com o enredo “Kupapa Unsaba – Morada Ancestral”, a azul e branca da Baixada contará uma diáspora de além-mar: uma semente africana que recebeu todo o axé na Bahia, criou raízes profundas na região, floresceu e segue reflorescendo pelas zelosas mãos de Floripes, o coração dessa dinastia ancestral.

Autores: Samir Trindade, John Bahiense, Renne Barbosa, Herval Neto e Daniel Paixão

Alumiou
Na morada dos encantos
O corpo arrepiou
Joelho se dobrou
É Lembá, Lembá Dilê
Quem dá demanda
Vai Lessengue em seu destino
Leva Congo e Angola na viagem
Chega ao Rio de Janeiro
Pombogira tem a chave
Água para o rei
Kizomba pra saudar
Ilê de proteção, chão de África

Muzenza Mabeji, herdeira do axéEm Anchieta, um ritual de fé

Ê Arenguerê, ê ArenguerêDesce o xaxará, vem para curarChove pipoca, a palha em giroÉ Unsumbô quem traz o alívio

E na casa de Zumbá
De Inkosse e Rongorô
A magia de Lembá, onde venta Kaiangô
Cada árvore plantada tem folha de Katendê
Matukalombô, fartura e saudade
Correm os vunjis em liberdade
Iyá nos confie o mistério
Dobra o couro, o Império
Vem de Exu o poder
No chão de terra batida
A vitória em vida há de florescer
Filhos, netos, tantas gerações
Vieram retribuir
Mametu Mabeji

Bate folha, bate tambor
Bate tambor, bate folha
Tem xirê na raiz do candomblé
Meu terreiro, legado de mulher!

São Clemente

O enredo que guiará a Escola de Botafogo promete ser um espetáculo à parte. Intitulado “Na Tamarineira, é pagode, é carioca, é São Clemente”, a São Clemente  mergulha nas raízes do samba ao reverenciar o jongo, o lundu, a Casa de Ciata e os quilombos, conectando a história da música popular brasileira à trajetória de resistência, celebração e identidade da escola. 

Autores: Nelson Amatuzzi, César do Ouro, James Bernardes, Hugo Bruno, Dedé Russo, LN, Vando Cardoso, Ronie Machado, Giovani e Vitor Mendes.

Eu sou o tronco forte que insiste
Sou raiz que atravessa oceanos
Resiste no canto, nasce da dor
Do choro derramado, num batuque aportou
O jongo e o lundu na Casa de Ciata
No Valongo, nos quilombos, minha seiva é libertar
Em cada galho, uma “fada” e um pagodinho
Bira, Jorge e Arlindo
Herança africana a ressoar

Em tom de protesto, sou manifesto
Meus versos não se prendem à mordaça
“Acorde” em liberdade, floresceu comunidade
No canto que agita a massa

Nas levadas virei samba-enredo
Escolas fincaram bandeiras
No Cacique ergui meu terreiro
Santíssima Trindade pioneira
Festejar virou liturgia
No fundo do nosso quintal
A cada herdeiro, um soneto de amor
Faz do berço imortal (imortal)
Um fiel clementiano
Não perde o compasso, feliz a cantar
Com dignidade, enfrentar a tempestade
Pro show continuar

Firma o partido alto, pro pagode começarJá mandei buscar ioiô, já mandei chamar iaiáBanjo, viola, cavaco, repique e pandeiroSão Clemente é quintal de todo partideiro

Acadêmicos do Dendê 

A escola insulana vai homenagear a Associação Atlética Portuguesa, símbolo da região, que celebrou o seu centenário em 2024. Com o enredo “No Carnaval dos 7 Mares, vai dar Zebra!“, a escola tem como personagem central o mascote da Lusa: a zebra. A narrativa mistura fantasia e memória, com a zebra embarcando numa viagem simbólica por carnavais ao redor do mundo, até retornar ao seu lugar de origem — o clube que marcou a história esportiva e cultural da Ilha. 

Autores: Almir da Ilha, Aloisio villar, Dé da Ilha, Waguinho, Rosangela Poeta, Marcelo Martins, Bruno Revelação, Micha, Doum Guerreiro, Rafael Santos, Marquinhus do Banjo, Rafinha da Ilha e Gugu das Condongas

Pelos setes mares viajei
Guardo lembranças dos lugares que passei
Grandiosos carnavais, que o tempo não disfaz
Vi… nos salões toda nobreza nos bailes de Veneza
Mascarados se escondiam
Desejos e paixões, roubando os corações
Mistério arte e poesia e poesia!

Vou navegando pelas ilhas desse mar
Pela Martinica eu fui me apaixonar
No rufar do tambor a saudade apertou
Até parece a Ilha do Governador

De volta ao meu Rio de Janeiro
Oh! Minha Lusa, quanta emoção
Galopei na fantasia que aqui um dia
Já foi tradição
O vento soprou a galera explodiu
Tem bola na rede o gol que saiu
Fiz história em Madrid, tirei onda no Havaí
Patin House é alto astral
Sou nostalgia, futebol e carnaval

Hoje é dia do meu sonho acontecer
Vou cair nessa folia com dendê!
No morro se faz samba com certeza
Rumo à vitória com a zebra portuguesa

Acadêmicos do Engenho da Rainha

A Acadêmicos do Engenho da Rainha vem homenageando Tomás Santa Rosa, um dos mais importantes nomes do Teatro Brasileiro, com o enredo “Santa Rosa – Negro, moderno, plural!”. Santa, para os íntimos, enfrentou o preconceito racial para comprovar o seu valor artístico e modernizou a cenografia teatral no Brasil.

Autores: Cláudio Russo, Marcota, Raphael Gravino, Gabriel  Simões , Renan Diniz , Laura Cavalcanti, Fábio de Souza e Mateus Pranto

Herói de perfil teatral
Menino de Engenho
Tomas tudo que é teu
Toma de posse a luta e o axé
Pinta os acordes da roda de samba
Faz seu batismo num bom candomblé
Retrata a gente esquecida
E a vida de mil pescadores
Escuta a mãe lavadeira cantando as dores

Nos traços da capa, o dom de ilustrar
Coloca no mapa um novo Brasil
Um livro aberto pra repaginar
A velha memória de um tempo hostil

E segue a revolucionar
O gênio das artes, um multiartista
Bem “vestido” pra se consagrar
À luz da ribalta, preto é protagonista
Santa, mistura o popular e o erudito
O seu talento bendito
Ganha a cena, enfeita o drama
Tinge o céu da minha favela
De rosa e carmim
No risco, o Pierrô e o Arlequim
Na Primeira Academia, a arte não tem fim

Eu quero ouvir o Morro do Engenho
Tomar a avenida em uma só voz!
Em nome da arte, por tudo que tenho:
Santa Rosa somos nós!

Unidos da Vila Santa Tereza

Inspirada no verso eternizado pela madrinha Beth Carvalho, a escola vai levar o enredo “Vila Santa Tereza Não Marca Bobeira e Festeja os 45 anos do Cacique de Ramos”, que conta a trajetória de um dos maiores símbolos da cultura popular e do samba carioca.  

Autores: Cláudio Russo, Marquinhos Beija Flor, Sílvio Romai, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Amaro Poeta

Vem pagodear
À sombra da tamarineira
E ver todo povo sambar
Nosso canto ecoar a noite inteira
E recordar o fundamento que Oxóssi enraizou
Com as folhas da jurema abençoou
Esse quilombo suburbano
Reduto onde o samba foi morar
O tambor se fez altar
Salve o Cacique de Ramos!

Lalaiá, laiá… tô com “água na boca” pra brincar
Lalaiá, laiá… eu só quero caciquear

Bate tantã, corta o repique
Faz um verso improvisado
Pega o banjo e puxa um tom…
o pagode tá formado!

Junta um pandeiro e o som de um cavaquinho
No terreiro da Uranos que se dança miudinho
E os seus frutos germinaram em toda parte
Mostrando que o samba é arte, poesia na essência
Suas três cores representam seus valores
Emolduram seu papel de resistência
Aldeia de toda essa gente
Semente que eu vou festejar
Nem mesmo a força do tempo irá apagar
O mestre ensinou que o show tem que continuar!

Eu sou a Vila Santa Tereza
Da batucada original
É noite de celebração
Ao Cacique guardião
Do fundo do nosso quintal

 Acadêmicos da Rocinha

A Rocinha propõe em “Alafiou! Caminhos Abertos para a Vitória!”, um reencontro necessário com suas raízes, suas tradições e com a força da ancestralidade. Os saberes dos terreiros, a oralidade dos nossos ancestrais, as práticas religiosas que resistiram mesmo quando relegadas aos subterrâneos da cultura oficial. 

Autores: Lico Monteiro, Fred Lima, Leandro Thomaz e João Perigo

Bate tambor, vai ter curimba
Na minha gira de Ogum
São tantas flores e veredas
Dança ao vento a folha da figueira
Respeite a raiz da minha figueira
Onde ecoa o adarrum, oferenda no ayê
Mensageiro é sentinela, Mojubá, Laroyê!
E nas sombras que cortaram a raiz… ajogun
O silêncio recolhido agô (agô)
É tempo de voar… p’ra Ilê Ifé!
Que o destino de Orunmilá
Possa confirmar o meu axé!

Sete bodes p’ra Exú, respeito aos eguns
A purificação: Oyá! (Oyá)
A força p’ra honrar meu oriÊ Patacori!
Não deixe seu filho tombar!

Viu nos búzios o destino… Babalaô
No Ifá a direção, confirmação!
Quem deseja abre caminhos
Não segue sozinho na escuridão
O cheiro de alfazema ganha a noite
Perfumando avenida de axé (axé!)
Reluz a borboleta encantada
Entre o choro e gargalhada… seus filhos de fé!
Rocinha! Como é bom te ver brilhar
Teu cortejo é esperança
Alafiá!

A Sòrò Dayò! A Sòrò Dayò!Deixa girar… ô deixa girar!Põe erva p’ra defumar, Rocinha!Vitória p’ra coroar… Rocinha!

 Acadêmicos de Santa Cruz

A agremiação da Zona Oeste vem com o enredo “Brasil de Mil Faces em um Só Coração”, que promete um convite a uma imersão na história e na cultura do nosso país, celebrando sua complexidade e a inabalável resiliência de seu povo. 

Autores:Paulo César Feital, Jefinho Rodrigues, Nita, Gilson Bernini, Jaci Campo Grande, Leandro Balinha, Carla da Barreira, Robinho Kisamba, Tuquinha, Rominho do Teo, Marcinho.com, Nem da Baiúca, Douglas Ramos, Ricardo Pimenta, Nito de Souza e Victor Raphael.

Terra sagrada…
Onde o povo é a maior riqueza
Pindorama, Paraíso Tropical
Dádiva da natureza
Lar dos tupinambás, Guaranis, Carajas
Antes da colonização
Já eram donos desse chão
Nas crenças e rituais
O dom de ser feliz e semear a paz
Mistério… Sabedoria
A vida em perfeita harmonia

Carvelas ao Mar exploração
Sangue derramado pela Escravidão
Resiliência Esperança e Fé
Resistencia no Quilômbo.. Axé!

E aí, ouviram do Ipiranga, às margens plácidas
Tambores de um povo torturado
E o Sol da liberdade em raios vívidos
Brilhou sobre a nação dos favelados
Brasil na independência e na proclamação
Caminho livre para imigração
Mosaico cultural, nação plural
A voz que não se cala, forjada na senzala
Samba, capoeira e religião
Mil faces num só coração

Acende a chama da Igualdade
Pra Celebrar Nossa Diversidade
Cada filho desse chão é um ser de luz
Avante, Minha Santa Cruz!

 Alegria do Vilar

Com o enredo “Regido e Guiado pelas lâminas do Rei da Justiça”, a Alegria do Vilar vai apresentar na Intendente a representação de uma ferramenta tão importante para o Orixá e filhos regidos e guiados de Xangô, que é o Oxé, representado por um machado de duas lâminas simbolizando a imparcialidade e a Justiça. 

Autores: Leozinho Nunes, Ali  Gringo, Dinho Prateado, Luciano Gomes, Mauro Nval,F Frank, T. Nem, Marco Calixto, Reginaldo Soares, Filipe Zizou

Laroyê Exu Mojubá
Abre os caminhos pra minha escola passar 
Kaô Kabecile, Xangô! 
O seu Oxê corta o mal e não falha 
Kaô Kabecile, Xangô! 
Guiado pelo Oxê, sigo em frente na batalha 
Lá no alto da pedreira reluziu 
Na cachoeira, entreguei o meu ori 
Ouço o brado da justiça, que ecoa sem temor 
Trovão me ilumina, chama que avermelhou 
Defesa dos filhos do rei maior 
Do Alafim de Oyó, do Alafim de Oyó  

Obá Alaiyê, és o guardião 
Quem me batizou e amansou o leão 
A sabedoria, a lei divina em mim 
Dono do destino até o fim  

Toca o alujá… Eô! 
É barravento, incorpora Yawô 

Eu peço agô! 
Ferramenta pra lição, a sentença e o perdão… A dualidade humana 
Sustenta a proteção, uma arma em cada mão… Poder que emana 
Tem Amalá e cerveja preta no Ibá 
É fogo, é sedução que encanta as Yabás 
O seu filho atendeu o seu pedido 
Pelas lâminas guiado, pelas lâminas regido 
De branco e encarnado a dançar 
Segue na missão para homenagear 

O machado de Xangô, pro destino anunciar  É a chama da vitória da Alegria do Vilar

Leão de Nova Iguaçu 

Penúltima escola a desfilar na segunda-feira na Intendente Magalhães, O Leão vai contar a história de Maria Felipa, uma marisqueira e combatente brasileira na Guerra de Independência do Brasil, especificamente na campanha de Independência da Bahia na Ilha de Itaparica.

Autores: Arlindinho Cruz, Ali Jabr, Julio César Lourenço, José Maurício, Marcos Vinicius Sampaio, Douglas Guaracemir, Cláudia Rivizzini, Vinicius de Almeida, Alexandre Ribeiro, Frank Tavares, Silvio Romai, Sérgio Igor Castro da Silva, André Zezza.

O mar que nos concebeu a vida
Também abriu feridas, pelas mãos do invasor
O sangue no chão foi derramado
Fez o negro acorrentado entoar o seu clamor
Tribos, praieiras, flechas, capoeira
Nem o tempo apagou
Fez do corpo bandeira, a dor virou rebeldia
Na alma um farol que ilumina
Vem das Yabas, a ancestralidade
Identidade em sua africanidade 

Oh, Itaparica… chama da revolta acesa
Brilhou nas mãos da Negra Fortaleza
Com rede e coragem, venceu a opressão
Maria Felipa é força e devoção

A ilha se cobre de fitas
E rufam tambores à celebrar
Mulheres se tornam rainhas
Independência…O triunfo popular
Ê Bahia dos Filhos de Ghandi… Afoxé
Ê Bahia… somos os filhos do Axé
Na lavagem do Bonfim, baianas e seus patuás
Nas festas e nos rituais, Olodum, Ylê Aiê
Roconcavo do samba… liberdade
Alegria popular pela cidade 

Mais uma Maria, das Marias do Brasil
Valente, Guerreira, sua luta resistiu
Muita bravura  e fé, pela libertação
É Coroada no rugido do Leão

Império da Uva

Fechando os desfiles da Série Prata, a Agremiação da Baixada se veste de devoção com o enredo “Nos caminhos da Fé, o meu sonho anunciou…Salve Nossa Senhora Aparecida, a Mãe Preta do Brasil!”, onde a escola vai trazer  a história de fé, resistência e esperança do povo brasileiro através da imagem sagrada da padroeira do Brasil.

Autores: Lício Ferreira, Inaldo Botelho, André Luis, Valter Filho, Robson Maurício, Luiz Fernando, Maria Madalena, Oswaldo Ferreira, André Luis Lima, Fernando de Lima, Cremilson de Jesus, Júlio César, Denílson César, Franck Willian, Marcio Delgado, Fabrício Amaral, Thiago Brito, John Douglas, Marco Aurélio, Diego Nicolau, Marcelo Santos, Renan Paixão, Edson Júnior, Paulo Larré e Diogo Pereira. 

Sonhei… com a mensagem de Nossa Senhora
O sonho conduz a trajetória
Mãe Preta mostra o destino, a direção
Devoto imperiano, esse sonho é todo seu
Vejo que eu não estou sozinho
A vela acendeu!
Nessa romaria sigo em procissão
É a esperança a sorrir
Num cortejo de emoção e fé
Sonhando com a Sapucaí

Os seus milagres, ouvi
Histórias que o povo contou
Nas águas, sua aparição
Fartura na rede do pescador

Aos seus pés… se curvou a realeza
Ó luz dos pobres, dos excluídos
Que fez parar o cavaleiro destemido
Reza, cantiga e batuque
É missa dos pretos
Sincretizada é Oxum “Ora Yeyêo”
No rádio a tocar
A mais bela canção que o mundo ouviu
Pra exaltar a Padroeira do Brasil

É um canto de amor no caminho da fé
Meu Império da Uva se curva a ti
Faz de mim seu altar, o milagre da vida
Nossa Senhora Aparecida

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